COMO O PCC DOMINOU A CRACOLÂNDIA ATÉ A OPERAÇÃO POLICIAL DE DORIA E ALCKMIN



COMO O PCC DOMINOU A CRACOLÂNDIA ATÉ A OPERAÇÃO POLICIAL DE DORIA E ALCKMIN

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A cruzada para tirar o PCC da Cracolândia

Com uma espécie de quartel instalado em hotéis e usando viciados como escudo, a facção movimentava R$ 14 milhões mensais em área do centro de São Paulo

Uma tropa de 976 policiais civis e militares tomou a Cracolândia na manhã do domingo (21). Armados, os agentes formaram uma barreira humana e marcharam pelas ruas do quadrilátero no centro de São Paulo, esparramando centenas de dependentes químicos para os arredores. A megaoperação teve um objetivo diferente das anteriores: acabar com a presença do Primeiro Comando da Capital, o PCC, a maior facção criminosa do país, que controla os presídios paulistas. Segundo estimativas do Departamento de Investigações sobre Narcóticos (Denarc), a organização vendia diariamente na região cerca de 20 quilos de crack – um giro financeiro de R$ 14,4 milhões ao mês. “A Cracolândia se tornou a maior biqueira do mundo. E o PCC estava seguro de que aquele território negado, sobre o qual o Estado não exercia mais soberania, não seria retomado”, diz um delegado que coordenou a operação.

Foi em meados de 2014 que o PCC enxergou a Cracolândia como um mercado potencial – e, mais importante, com baixíssimos riscos. A área era dominada por uma multidão de viciados, que inibiam a entrada da polícia. Havia, portanto, um meio ambiente propício para a venda tranquila de drogas. Numa operação meticulosa, a facção articulou a criação de um movimento de luta por moradia para usá-lo como fachada para a venda de drogas. Naquele ano, Wladimir Brito, secretário-geral do Movimento Sem Teto de São Paulo (MSTS), conduziu a ocupação do Cine Marrocos, na região central, e passou a utilizá-lo como quartel-general de seus negócios. Sabia que ali, longe dos olhos da polícia, estaria à vontade para trabalhar.

Wlad, como é conhecido, guardava no prédio a droga que vendia na Cracolândia. Fazia, no 12º andar, reuniões para contabilizar os lucros e definir os destinos de devedores. Como um dos líderes do MSTS, ele cobrava uma taxa mensal das 300 famílias que viviam na ocupação, investida mais tarde no tráfico. Ele e outros membros do grupo levavam uma vida confortável e luxuosa. Em seu perfil do Facebook, já desativado, mantinha fotos com carrões. Numa operação em agosto do ano passado, a Polícia Civil de São Paulo prendeu Brito em Maceió, Alagoas, onde comemorava o aniversário da namorada. Outros traficantes foram presos na ocasião.

O baque, entretanto, não freou a atuação do PCC na Cracolândia. Pelo contrário. Em agosto passado, a Polícia Civil identificou 18 barracas de vendas de drogas espalhadas pela região. Antes da ação de ontem eram pelo menos 30. O volume de drogas comercializado mais que dobrou: de 9 quilos diários para cerca de 20 quilos. Os usuários fixos se mantiveram em cerca de 300, mas os flutuantes cresceram. Em determinados momentos do dia, mais de 1.000 pessoas circulavam por ali. O PCC administrava as barracas num esquema de franquia. Os traficantes que já tinham pontos na região – em geral, passado de geração para geração – continuaram. Outros que entraram depois deviam prestar contas à facção. Ninguém vendia uma barraca sem o aval da organização.

A dinâmica da segurança também mudou. A polícia identificou um cinturão armado no quadrilátero. Homens do PCC, munidos de pelo menos dez armas (três submetralhadoras, além de pistolas e revólveres), cercavam os arredores para evitar a entrada da polícia. O Denarc encontrou outro padrão da facção nas mais de 400 horas de interceptações telefônicas, colhidas ao longo dos últimos oito meses. Sempre que uma operação policial era colocada em curso, os traficantes ordenavam que os dependentes fossem usados como escudo humano. “Manda os noias em cima deles!”, diz um integrante em um dos áudios. Na semana passada, a Guarda Civil Metropolitana (GCM) divulgou imagens de traficantes empunhando armas.

A ação de domingo estava prevista para ocorrer antes. Mas a operação vazou – e acabou por ser atrasada. Os políticos atrapalharam. No final de abril, ao citar o projeto de revitalização da Nova Luz, o governador Geraldo Alckmin profetizou: “Pode escrever, a Cracolândia vai desaparecer”. No começo de maio, foi mais explícito. Anunciou que a região seria alvo de uma operação. Na esteira de Alckmin, o prefeito de São Paulo, João Doria, também falou demais. 

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