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Tráfico da Cidade de Deus tenta avançar para outras áreas, diz PM

O porta-voz da Polícia Militar do Rio de Janeiro, major Ivan Blaz, enfatizou na manhã desta segunda-feira (21), que os criminosos da Cidade de Deus, região que tem sido palco de intensa guerra do tráfico de drogas, estão tentando expandir sua área de atuação para comunidades vizinhas. O major foi entrevistado pelo no estúdio do Bom Dia Rio nesta segunda.
"O que a gente observa ali é uma política expansionista do tráfico de drogas ali da Cidade de Deus. Eles tentam avançar para o outro lado da Linha Amarela, por trás do Barra Music, na comunidade da Gardênia Azul e Chico City”, disse o porta-voz da PM, admitindo que esta situação já se arrasta há algum tempo, mas que tem se agravado cada vez mais. A guerra na região é protagonizada por traficantes e milicianos.
Na noite de sábado (19), quatro PMs morreram após a queda de um helicóptero que auxiliava uma operação da polícia na comunidade. Segundo a perícia preliminar, não foram encontradas marcas de tiros na aeronave. A perícia investiga se uma pane elétrica ou um disparo causaram a queda do helicóptero. Ainda de acordo com Blaz, cinco policiais morreram em uma mesma noite na capital fluminense.

“A situação é dramática uma vez que nós tivemos quatro policiais mortos nessa situação da Cidade de Deus. No sábado nós tivemos ainda um sargento morto próximo do Jacarezinho. Então, nós tivemos cinco policiais mortos em uma só noite. Isso é muito triste. São cinco famílias diretamente atingidas e centenas de amigos que lamentam a morte desses companheiros”, declarou Blaz em entrevista ao Bom Dia Rio.

Desde o começo do sábado, intensos confrontos foram registrados na comunidade, o que demandou reforço no policiamento. Duas aeronavez foram empenhadas na operação. Uma delas, usada para combate, é blindada. A outra, que não é blindada, era utilizada para registrar imagens de monitoramento para ajudar no comando da operação. “Essa aeronave foi acionada assim que uma viatura da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) foi atacada por criminosos”, explicou Blaz.

A queda do helicóptero ocorreu no começo da Avenida Ayrton Senna, perto do acesso à Linha Amarela.

O porta-voz da PM disse que a corporação precisa intensificar a sua atuação no combate ao crime organizado, situação que ele classificou como “barbárie”. O oficial destacou também que, apesar da condição de vulnerabilidade da profissão, os policiais são comprometidos com a missão que lhes é conferida.

“O policial militar sabe que depende dele a sustentação dessa sociedade que caminha para uma barbárie nesses momentos tão obscuros e sombrios”, declarou Ivan Blaz.

Corpos em área de mata
Após a queda do helicóptero, a Polícia Militar decidiu dar início a uma operação por tempo indeterminado na Cidade de Deus. A ação teve início ainda na madrugada de domingo, após decisão tomada pela cúpula de Segurança do estado em reunião emergencial realizada na noite de sábado.

Ao longo do domingo, moradores da comunidade encontraram sete corpos numa área de mata na favela. Parentes de alguns deles afirmavam que todos foram executados por policiais militares. A corporação alegou que se tratavam de criminosos que teriam sido mortos durante os confrontos.
Nesta segunda-feira, o porta-voz da PM disse que desde o sábado diversos criminosos foram feridos nas trocas de tiros. Segundo ele, alguns desses criminosos foram encontrados em hospitais distintos e unidades de pronto atendimento, enquanto outros tentaram fugir. Os sete corpos encontrados na mata podem, segundo o major, fazer parte do grupo de feridos. Entretanto, ele afirmou que a PM está empenhada em apurar o caso e conta com o apoio da Divisão de Homicídios da Polícia Civil.
“Precisamos prestar contas para essas famílias [dos sete mortos] e colocar à disposição da sociedade todo o nosso equipamento correcional para o caso de ter havido algum excesso”, enfatizou o porta-voz da corporação.