Mais de 30 mortos em rebelião no Rio Grande do Norte - Alcaçuz

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Líderes da rebelião no RN são ligados ao PCC; mortos podem passar de 20

Seis detentos foram identificados como líderes da rebelião que destruiu Penitenciária Estadual de Alcaçuz; governo confirma dez mortos, mas agente penitenciário mencionou 27 corpos a secretário

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Ricardo Araújo , 
Especial para O Estado

15 Janeiro 2017 | 12h47

NATAL - Pelo menos seis homens, pertencentes à facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), foram identificados como os responsáveis pela rebelião que destruiu parcialmente a Penitenciária Estadual de Alcaçuz e o Pavilhão Rogério Coutinho Madruga, na região metropolitana de Natal. Eles serão transferidos para unidades penitenciárias estaduais ou federais. A rebelião foi controlada no início da manhã deste domingo, 15, por policiais militares e agentes penitenciários.  

Em coletiva de imprensa realizada no final da manhã deste domingo, o secretário de Estado da Justiça e da Cidadania do Rio Grande do Norte, Wallber Virgolino Ferreira da Silva, confirmou ao menos 10 mortos. Entretanto, ao sair da Secretaria de Estado da Segurança Pública, o secretário Wallber Virgolino Ferreira da Silva foi informado por um agente penitenciário que 27 corpos já tinham sido encontrados. "Secretário, eu contei 27 troncos", disse o servidor ao secretário diante de jornalistas e assessores. Wallber Virgolino não comentou o número. 

Segundo o secretário, a rebelião foi a maior já registrada no complexo prisional, fundado no final da década de 1990. "É a maior rebelião em número de mortos, mas não iremos superar Roraima", afirmou o secretário. No sábado, 7, 31 presos foram mortos em penitenciária de Roraima.

Um indicativo de que o número de vítimas pode ser maior do que o anunciado até agora, é a estrutura montada pelo Instituto Técnico de Perícia (Itep/RN). O diretor do órgão, Marcos Brandão, confirmou que foi montada uma estrutura com capacidade para receber até 100 corpos. Um caminhão refrigerado com espaço para armazenar 50 cadáveres foi alugado pelo Itep/RN para auxiliar o trabalho.

Brandão afirma que todos os corpos passarão por necropsia. No caso dos decapitados, ele disse que serão necessárias fotos de rosto e até exames de arcada dentária para a confirmação das identidades. Tendas estão sendo armadas em frente à sede do Itep/RN para abrigar familiares dos presos mortos na rebelião. A expectativa é que os primeiros sejam transportados da Penitenciária para o Itep ainda neste domingo, 15.

Questionado sobre a ligação das rebeliões deste fim de semana com os casos registrados em Manaus e Roraima, que levou à morte cerca de 93 presos, o secretário Wallber Virgolino poupou palavras. "A situação do Norte estimulou aqui. Mas são coisas diferentes", disse. Desde março de 2015, o sistema prisional potiguar enfrenta uma séria crise estrutural. A população carcerária do Estado gira em torno de 7,7 mil pessoas. O déficit de vagas se aproxima das quatro mil.

Rebelião em maior presídio do Rio Grande do Norte

O secretário de Estado da Segurança Pública e da Defesa Social, Caio Bezerra, destacou que a ação de retomada de controle da unidade prisional foi positiva. "Os presos não reagiram e estamos avançando na contenção de todos os pavilhões", frisou. Ele também evitou falar no possível número de mortos, mas destacou que todas as informações serão repassadas no momento oportuno. Outra coletiva de imprensa será realizada no fim da tarde deste domingo para atualização dos dados.

Reconhecimento dos corpos. O Rio Grande do Norte não dispõe de um Instituto Médico Legal (IML), mas sim de um Instituto Técnico de Perícia (Itep). Todos os corpos a serem recolhidos da Penitenciária de Alcaçuz serão transferidos para a sede do Itep, situada na zona portuária de Natal, cerca de 25 quilômetros distante do presídio. Uma força-tarefa foi montada para a identificação das vítimas fatais.