GN: TRAPALHADA DO GOVERNO DO RN PIOROU SITUAÇÃO EM ALCAÇUZ

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Segurança ignorou alertas e tirou presos de Alcaçuz sem certeza de facção

A transferência de 220 presos da penitenciária de Alcaçuz, no último dia 18, para outros dois presídios foi realizada pela Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social do Rio Grande do Norte contra a vontade dos gestores do presídio e da Secretaria de Justiça e Cidadania --responsável pela gestão das cadeias potiguares. 

O UOL teve acesso à ata da reunião na noite anterior à retirada dos presos, no Centro Administrativo do Estado. O encontro foi tenso, demorou duas horas e foi marcado por discordâncias. Os gestores dos presídios alegavam risco na ação e diziam que eram incapazes de identificar integrantes de facções criminosas.

Mas a Secretaria de Segurança insistiu e disse que a operação era necessária para evitar uma possível retaliação a ser promovida por uma facção criminosa em resposta a outra pelo massacre do dia 14 de janeiro. A pasta disse que tinha "informações" que apontariam para o ataque, e a transferência foi feita pela Polícia Militar --com apoio de outros órgãos de segurança.

A reunião
O primeiro a falar na reunião do dia 17 foi o vice-diretor de Alcaçuz, Juscelino Barbosa. Ele defendeu que todos os presos de uma das duas facções fossem retirados do local.

Barbosa ainda fez um alerta. Disse que, na condição em que o presídio se encontrava, era impossível saber que presos eram de facção e quais eram da "massa" (como são chamados os presos sem ligação à grupos criminosos). "Sabe-se, tão somente, ou líderes ou os declarados", afirmou.

Segundo apurou o UOL, no dia transferência, presos chegaram a ser consultados na hora da ocupação policial para saber se eram de facção e se gostariam de ser transferidos de Alcaçuz. Mesmo com a saída, muitos integrantes do Sindicato do RN permaneceram.

Em seguida, foi a vez de o secretário de Justiça e Cidadania, Walber Virgolino, se posicionar contra a transferência, alertando que "não resolverá o problema, podendo ensejar em mortes nunca antes vistas no sistema prisional brasileiro."

Após as duas manifestações, foi a vez de o diretor da Penitenciária de Parnamirim, Adailton Oliveira, se posicionar contra a transferência por ser dia de visita na unidade -- o presídio foi um dos que recebeu presos vindos de Alcaçuz.