Especial: Sindicato do Crime do Rio Grande do Norte (SRN / SDC / CRN)

Especial: Sindicato do Crime do Rio Grande do Norte (SRN / SDC / CRN)

Capítulos:
1- Origem (1:07)
2- Parcerias e poder (5:21)
3- A Guerra de 2017 (9:13)

-Correção: Os mortos em Alcaçuz eram do SRN, não do PCC.

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Confira outros especiais: 
https://www.youtube.com/playlist?list=PLbpMqVG0Bsd1p2R0YBa6eQuVJol_BZgo5

Tudo sobre a rebelião no Rio Grande do Norte. Morreram presos de PCC e do SDC: https://www.youtube.com/watch?v=ycGI30dZczc

GN: TRAPALHADA DO GOVERNO DO RN PIOROU SITUAÇÃO EM ALCAÇUZ:
https://www.youtube.com/watch?v=lW20wVw-0to

56 FOGEM DE ALCAÇUZ RN - PRESÍDIO SERÁ FECHADO - PCC X CV / SRN: 
https://www.youtube.com/watch?v=HtMNEG0iKoA

Sindicato do Crime RN, a dissidência do PCC que hoje é seu inimigo mortal

Alexandre Teodósio, vulgo Pelelê, de 30 anos, havia acabado de sair da cela no pavilhão 5 do presídio Rogério Coutinho Madruga, na Região Metropolitana de Natal, no dia 10 de junho de 2015. Vestindo apenas a bermuda azul, destinada aos detentos, e chinelo, se dirigia ao pátio para o banho de sol matinal. Integrante prestigiado da facção criminosa paulista Primeiro Comando da Capital (PCC), era conhecido como o “matador” do grupo no Estado, condenado a mais de 20 anos por diversos homicídios e tráfico de droga. Teodósio exibia com orgulho na barriga a tatuagem do símbolo chinês yin-yang, adotado pelos integrantes da facção criminosa de origem paulista. Minutos após deixar a cela ele foi esfaqueado e morto. O assassinato havia sido encomendado pela facção rival, o Sindicato do Crime RN, e marcou o racha definitivo entre as organizações criminosas. Esta rivalidade explodiu no último sábado, quando presos do PCC assassinaram 26 membros da facção local, desatando uma rebelião, ainda em curso, no presídio de Natal – a terceira no Brasil só em 2017, o que agravou ainda mais a crise penitenciária que vive o país.

Segundo um relatório do Ministério Público do Rio Grande do Norte, o grupo potiguar é uma dissidência do PCC fundado em março de 2013. Foi criado por detentos revoltados com “as decisões dos líderes locais" da facção paulista, "principalmente com a forma que eles levavam os problemas para os superiores em São Paulo”. Aliados do Comando Vermelho, que está em guerra com o PCCdesde o final do ano passado, o Sindicato é mais um grupo local – assim como a Família do Norte, no Amazonas – a entrar em rota de colisão com os criminosos de São Paulo na disputa pela supremacia dentro e fora das cadeias.

No mais recente episódio de violência entre os grupos, ocorrido no sábado, presos ligados ao PCC que estavam confinados no pavilhão 5 do presídio invadiram o pavilhão 4, destinado aos detentos do Sindicato, e mataram 26 rivais. As cabeças decapitadas foram jogadas na fossa da penitenciária. Este foi o terceiro massacre ocorrido nos presídios brasileiros este ano. No total 134 presos foram assassinados no sistema carcerário brasileiro em 2017 - mais de um terço do total registrado no ano passado. Na segunda-feira, os presos do Sindicato picharam nos muros do presídio as letras FDN, em referência à facção amazonense, em uma aparente demonstração de solidariedade com o grupo.
O Sindicato ganhou notoriedade ao, em agosto de 2016, praticar uma onda de atentados no Estado, onde controla 24 de 32 penitenciárias. Em três dias, 65 ataques foram registrados por todo o Rio Grande do Norte. Ônibus foram incendiados e prédios privados e públicos foram alvejados. À época as autoridades acusaram lideranças do Sindicato de estarem por trás dos crimes, e anunciaram a prisão de 60 pessoas. De acordo com o Governo, a instalação de bloqueadores de celular em alguns presídios do Estado teria provocado a crise.
O RN entrou na mira do PCC por ser um dos Estados brasileiros mais próximos da Europa, destino final de parte das drogas contrabandeadas pelos paulistas e uma das mais lucrativas rotas do tráfico internacional. A política expansionista da facção de São Paulo busca controlar as atividades criminosas em Estados que fazem fronteira com países produtores de cocaína ou que possibilitam sua exportação pela via portuária.