CRESCIMENTO E QUEDA DE EIKE BATISTA, DE ÍDOLO A FORAGIDO

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A renúncia de Eike Batista da presidência e do conselho de administração da MPX, empresa de energia do conglomerado criado pelo empresário, é mais um capítulo da crise que assola o outrora homem mais rico do Brasil, à luz de perspectivas menos otimistas para o futuro da economia do país.
Em fato relevante divulgado na quinta-feira, a MPX informou ao mercado que uma assembleia geral será convocada em breve para deliberar sobre a saída de Batista e a alteração da denominação social da companhia. Uma oferta de ações inicialmente prevista também foi cancelada e substituída por um aumento de capital privado.
Por trás da decisão, há uma tentativa de acalmar o mercado e interromper a sangria que já lhe custou grande parte de sua fortuna.
Segundo a agência financeira Bloomberg, Batista era, em março de 2012, o oitavo homem mais rico do mundo, com um patrimônio estimado em US$ 34,5 bilhões (R$ 78 bilhões em valores atuais). Agora, tem "apenas" US$ 2,9 bilhões (R$ 6,5 bilhões).
Por ser um de seus ativos mais valiosos, a MPX tem importância vital no plano de reestruturação do conglomerado EBX, que reúne quase duas dezenas de empresas criadas pelo empresário.
A intenção inicial seria vender a MPX e a MMX (mineração) para amortizar parte das dívidas de outras companhias do grupo.
Mas segundo o jornal Valor Econômico, estaria em curso um plano maior, de desmembramento do conglomerado, que incluiria a venda de empresas inteiras, diluições de participações e renegociações de dívidas.
A Batista caberia "uma participação minoritária nos maiores empreendimentos ou uma ou outra empresa de menor expressão do grupo", informa o diário em uma reportagem publicada na quinta-feira.
Decepção
No início da semana, a forte queda das ações da OGX (petróleo) puxou para baixo o desempenho da Bovespa, a bolsa brasileira, que se descolou dos mercados internacionais.
Os investidores reagiram mal ao anúncio de que a empresa interromperia a produção nos campos de Tubarão Azul, na Bacia de Campos (Rio de Janeiro), no ano que vem por inviabilidade econômica.
A declaração contribuiu para aumentar ainda mais a crise de confiança que vinha pairando sobre as empresas de Batista, na esteira da deterioração do cenário macroeconômico brasileiro.
Segundo a consultoria Economática, apenas no primeiro trimestre de 2013, as seis companhias de capital aberto (ou seja, negociadas na bolsa) do empresário (OGX, MMX, MPX, OSX, LLX e CCX) registraram um prejuízo total de R$ 1,154 bilhão, alta de 539% em relação ao mesmo período do ano passado.
Essas mesmas empresas tinham até o fim do ano passado uma dívida líquida de cerca de R$ 15 bilhões, de acordo com dados da Thomson Reuters.
Um levantamento do Valor Econômico mostrou que, juntas, as seis companhias perderam R$ 110 bilhões em valor de mercado desde seu melhor momento na bolsa até a cotação encerrada no final de junho.
As empresas têm hoje um valor de mercado aproximado de R$ 9 bilhões.
Já um cálculo feito pelo jornal O Estado de São Paulo mostra que quem investiu R$ 5 mil na OGX em 2008, quando a empresa abriu seu capital, teria hoje somente pouco mais de R$ 200.
Ascensão
Mineiro de Governador Valadares, Eike Fuhrken Batista ganhou projeção nacional como o empresário que melhor encarnou a euforia internacional com a economia brasileira, uma das menos atingidas pela crise financeira de 2008.
Com um estilo arrojado de fazer negócios e considerado visionário por seus pares, ele aproveitou-se do apetite chinês por commodities e da abundância de matérias-primas no Brasil para vender o otimismo com que investidores de todo o mundo viam o país.
O pano de fundo era positivo. O pré-sal havia sido descoberto e milhares de brasileiros ascenderam à classe média.
Ambicioso, Batista apostou alto. Fluente em cinco línguas, o filho de um ex-ministro de Minas e Energia e ex-presidente da Vale durante o governo militar montou um império de empresas em diversos setores, do petróleo ao entretenimento.
Para concretizar sua ideia, no entanto, o empresário precisava de capital novo. O caminho encontrado foi a abertura de suas empresas na bolsa de valores, por meio de IPO’s (Oferta inicial de ações, na sigla em inglês), realizados entre 2006 e 2010.
O ponto alto veio com o início da negociação dos papéis da OGX. Foi o maior IPO da história da Bovespa. Até pouco tempo, a OGX era considerada a principal empresa do conglomerado.
O discurso de Batista também ganhou acolhida entre os bancos, que lhe emprestaram dinheiro. Segundo um relatório divulgado recentemente pelo banco de investimentos americano Merrill Lynch, somente bancos públicos, como o BNDES e a Caixa Econômica Federal, estão expostos em cerca de R$ 4,9 bilhões e R$ 1,4 bilhão, respectivamente, ao conglomerado EBX.
historia de eike batista como empreendedor